Agenda - Rio de Janeiro (exposições)

Refunção

Exposição em cartaz até 27 de maio, no Centro Cultural Justiça Federal - RJ

 

REFUNÇÃO_cesari_Desvio_b.jpg
Sem título, 2009 – 2018, tinta acrílica sobre madeira (tábuas de cortar carne) – Artista: Carlos Cesari

A ideia da representação em arte perdeu gradativamente seu lugar de primazia para a autonomia dos objetos, provavelmente a partir do advento da fotografia, no Século 19. No caso da pintura, esta se voltou para suas próprias questões através de experimentos que desaguaram no Impressionismo e nos “ismos” Século 20 adentro. Mas foi no âmbito artístico da tridimensionalidade, na mesma época, que talvez tenha ocorrido a maior revolução.
Em 1917, quando o artista francês Marcel Duchamp experimentou inscrever o que chamava de um ready-made numa exposição, inaugurou um ilimitado campo de possibilidades no fazer artístico que se desdobrou desde então. Apresentando um urinol invertido intitulado “Fonte”, ele incorporou sua atitude enquanto artista à obra, ao apropriar-se de um objeto preexistente e impondo-lhe poeticamente uma nova função. Dessa maneira, deslocou a parcela estética para fora do objeto ao qual habitualmente delegamos o status de “obra artística”. Nessa modalidade, uma infinita gama de sensibilidades, dizeres e afetos usam esses objetos como âncoras de referência estabelecidas em nosso mundo perceptível. Aberturas assim foram possíveis e retomadas de maneira mais efetiva na segunda metade do século, no pós-Segunda Guerra, no advento da pós-modernidade, através da Pop Art e da Arte Conceitual, chegando-se inclusive a novas modalidades no contexto da Arte Contemporânea, como à performance e ao objeto.
Em REFUNÇÃO o que se espera é assinalar alguns aspectos desse procedimento já centenário, ao abarcar certa fatia da grande pluralidade possível em abordagens sobre o assunto. E isso se dá através das propostas de Ana Alves, André Sheik, Alexandre Dacosta, Carlos Cesari, Celia Pattacini, Clarisse Tarran, Claudio Pedro, Cris Cabus, Luana Fonseca, Luiz Guimarães, Helena Wassersten, Marcio Zardo, Miriam Pech, Pedro Paulo Domingues, Tchello d’Barros, Victor Monteiro e Xico Chaves¹; artistas que transitam provavelmente por temáticas ou mesmo em vertentes distintas, mas que, pelo viés relacionado, postulam diálogos pertinentes à cena da arte atualmente sugerida.

Eduardo Mariz

 


¹ Xico Chaves: artista exclusivo Movimento Arte Contemporânea

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s