Crítica semanal Ton Almeida

Contracultura e Anti-Arte enquanto guerrilha semiótica

 

Nas últimas semanas tenho tentado acionar uma convergência de referências e situações que se amparam numa perspectiva de fazer artístico de caráter combativo, não condescendente, que agencie deslocamentos do lugar comum  da arte de caráter meramente estético para possibilidades de potências insurgentes. Outros modos de fazer que operacionalizem situações híbridas, mutações dissonantes do jogo institucional das cartas marcadas, dos lugares cativos, de referência na lógica de herança e nepotismo amigável ou conciliar.

Uma grande base referencial que vem me auxiliado por alguns anos parte de dois livros, que considero como linhas que caminham em paralelo, que se bifurcam e cruzam repetidas vezes, criando caminhos múltiplos, apontando para simbioses entre diversos modos de fazer dentro de uma recente história da arte da virada de século.

O primeiro livro trata-se da dissertação de André Luiz Mesquita “Insurgências Poéticas: Arte Ativista e Ação Coletiva (1990-2000)” na qual o autor foca atenção na possibilidade de intersecção entre práticas artísticas e políticas, trazendo um arcabouço referencial vasto de iniciativas que se executaram tanto no Brasil como em outros países. O trunfo desta publicação é justamente conseguir apontar possíveis relações entre as iniciativas desenvolvidas mundo afora com as que são feitas por artistas e coletivos mais próximos de nossa realidade, contextualizando os momentos históricos em que os trabalhos ocorreram.

O outro livro observa um panorama mundial, com foco mais predominante entre a Europa e a América do Norte, mas faz isso tracejando uma arqueologia crítica da contracultura e da anti-arte. Trata-se de “Assalto à Cultura –  Utopia, Subversão e Guerrilha na (anti) arte do século XX” do Stewart Home. Nele o autor faz uma boa pesquisa e elucida fatos sobre rachas dentro de vanguardas e os interesses políticos existentes na manutenção de uma historiografia oficial da arte, que põe a margem certos discursos , deslegitimando e deturpando certas ideias em prol de interesses políticos. Tal caso ocorre por exemplo com os Futuristas que na maioria das vezes são tratados como fascistas mas na real estavam apresentando um discurso subversivo e utópico de desestruturação de algumas morais, ídolos, status e símbolos.

Apresento essas referências por que creio ser leituras necessárias para uma compreensão de um recorte de uma lógica subversiva que dialoga com a arte contemporânea desde a década de 40. São textos de fácil leitura, que facilitam a abordagem sobre temas controversos e renegados, facilitando o entendimento sobre certas movimentações que estão à margem do discurso oficial. Também por que podem ser lidos paralelamente e sugerir muitas formas de atuar de caráter simples e eficaz, tanto individual como coletivamente.

 

 

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TON ALMEIDA é artista multimídia, educador, produtor e gestor cultural. Desenvolve, individualmente e em sistema de colaboração com outros artistas, trabalhos de perfomance, instalação, intervenção urbana, que transversalizam técnicas e discursos referentes ao cinema e as artes visuais. Tem interesse nas relações entre memória, identidade, cinema expandido, performatividade, paisagens, território, envolvendo a prática comunitária como ferramenta de luta social.

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