Crítica semanal Mayã Fernandes

BSB plano das artes, a visibilidade de iniciativas autônomas no DF

Ao celebrar a reinauguração do Centro Cultural Renato Russo, os brasilienses puderam visualizar a promessa de um espaço democrático para as artes no Distrito Federal. Após cinco anos de espera, o evento, um ansioso vislumbre, possibilitou o protagonismo das obras de artistas visuais em suas diversidades  dispostas nas paredes.

Em Brasília, os espaços vazios não proporcionam o entre. O esforço para sobreviver ao ermo é denunciado. Alguns dos espaços destinados à cultura estão interditados ou inacessíveis. Assim, como ponto de fuga, a existência dos meios artísticos acontecem em cooperação.

Na tentativa de mapear, promover o encontro e permanecer nos lugares, nasceu o Projeto BSB plano das artes com o auxílio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF). O lançamento do catálogo ocorreu na reinauguração do Centro Cultural Renato Russo. Com a  sua concepção, sua coordenação geral e a curadoria de Cinara Barbosa e a produção executiva de Daniela Estrella, a equipe de profissionais técnicos e arte/educadores conseguiu reunir ateliês, galerias e centros culturais autônomos e coletivos. Os denominados espaços híbridos conjugam atividades formativas com as exposições de arte. É interessante ressaltar que a programação dos espaços destoa dos padrões institucionalizados, fortalecendo a cena local e uma rede de voluntários. Esta rede busca uma maior disseminação dos trabalhos artísticos e de todo os processos que envolvem uma exposição, desde montagem, produção, curadoria e educativo.

O maior desafio do projeto BSB plano das artes foi realizar o mapeamento dos espaços artísticos atuantes na cena cultural do DF, possibilitando a visibilidade destes espaços. Deste modo, o projeto, em parceria com esses espaços artísticos, promoveu uma programação com atividades voltadas ao grande público.

Ao todo foram vinte espaços participantes: A Casa da Luz Vermelha, a Alfinete galeria, o Ateliê Cecilia Mori e Ateliê Christus Nôbrega, o Ateliê Clarice Gonçalves, deCurators, o Elefante Centro Cultural, o Espaço F/508 de Fotografia, a Galeria iboc Brasília, a Galeria Olho de Águia, a Galeria Ponto. Participaram também a Gruta, ManOObra, Nave, o Ateliê Nova, o Oto Reifschneider espaço galeria de arte, Pilastra, Ateliê Raquel Nava e Cecília Bona, a Referência galeria de arte, o Ateliê Valéria Pena – Costa e Projeto Fuga e XXX Arte Contemporânea.

A possibilidade de concatenar iniciativas independentes foi um grande mérito do projeto BSB plano das artes. A democratização do acesso à arte e, especialmente, a disponibilidade de espaços híbridos favorece a cena cultural, potencializando uma gestão colaborativa. É visado um DF que se reconheça frente aos grandes centros nacionais de produção artística.

 

maya


MAYÃ FERNANDES
 é formada em Filosofia pela UnB e atualmente é mestranda em Metafísica pela mesma instituição. É pesquisadora da Cátedra UNESCO Archai: Origens do pensamento Ocidental e editora da PHAINE: Revista de Estudos Sobre Antiguidade. Estuda a teoria do belo na antiguidade e escreve crítica de arte no site Linhas de fuga.

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