Crítica semanal Mayã Fernandes

A artista e a incansável busca por espaço nas artes II

No final do texto “A artista e a incansável busca por espaço nas artes” explico, brevemente, sobre o problema da visibilidade e legitimidade das mulheres nos campos artísticos. Por mais que tenhamos um avanço considerável no número de exposições e de artistas contempladas, essas ações não parecem ser suficientes para deter o preterimento dessas artistas. Deste modo, uma das hipóteses para avançar em relação ao espaço de fala e uma efetiva mudança histórica é a visibilidade da produção artística realizada por mulheres, sendo necessário criar distintas estratégias para a visibilidade da produção artística e levá-la para o ensino formal.

A resistência no campo artístico aparece por meio de feministas que tratam sobre a temática, e colocam à vista os processos machistas e sexistas da sociedade. Observa-se uma defasagem em relação a produção de materiais que sirvam como referência para as próximas gerações. As mulheres na arte não integram o cânone e poucas vezes são citadas como ponto de partida ou de referência para períodos históricos em livros de história da arte.

A pesquisadora Andrea Coutinho[1] explica que se por um lado há uma defasagem na publicação da produção sobre arte feita por mulheres e se há também um uso restrito de imagens desta produção no ensino de arte, tanto na academia como em escolas, fica evidente a necessidade de avançar por este caminho. A investigadora Luciana Loponte² propõe que se adotem modos de ver menos assépticos e ainda pouco explorados no ensino de artes e concorda que a ausência destas obras nos livros de história da arte e livros didáticos só têm reforçado a invisibilidade da mulher como produtora.

Assim, entende-se que é urgente a apropriação desses espaços por mulheres e que esta é um dos modos de buscar visibilidade e legitimidade dentro das artes. Sob esse viés, a arte feminista vem atuando para que sejam produzidos documentos, exposições, mapeamentos e novas estratégias de visibilidade e legitimação da atividade intelectual de mulheres artistas.

¹COUTINHO, A. S.. A produção feminista das mulheres nas artes plásticas e suas implicações no ensino de arte: estudo comparativo entre professores (as) de arte de Portugal e Brasil. 2007

² LOPONTE, L. Gênero, Artes Visuais e Educação: outros modos de ver. Ensinarte – Revista das artes em contexto educativo, CESC- Universidade do Minho, Braga, n. 4 & 5, p. 7-21, primavera/outono, 2004.

 

maya


MAYÃ FERNANDES
 é formada em Filosofia pela UnB e atualmente é mestranda em Metafísica pela mesma instituição. É pesquisadora da Cátedra UNESCO Archai: Origens do pensamento Ocidental e editora da PHAINE: Revista de Estudos Sobre Antiguidade. Estuda a teoria do belo na antiguidade e escreve crítica de arte no site Linhas de fuga.

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