Candé Crítica semanal

História is Burning!

Queimamos em poucas horas o trabalho de 200 anos de pesquisa e investimento de recursos sociais no maior Museu de História e Antropologia da América Latina. O Museu Nacional da UFRJ na Quinta da Boa Vista tinha o Maior acervo museal do continente. Muitas vidas produziram aqueles objetos, inúmeras Culturas, recolhidas em séculos de estudo. Fora aquelas descobertas em processos naturais impossíveis de serem reproduzidos.

Historia is burning

O incêndio foi planejado. Conhecimento, Pesquisa, Ciência, assim como qualquer instituição na sociedade, é uma escolha de gastos. Uma opção de como vivermos, o que priorizamos, daquilo que importa. Quando especialistas apontam que o maior museu da América Latina, com um acervo capaz de definir nossa História, demanda de uma verba de manutenção e esta não é concedida há décadas por arbítrio… comete-se um crime. Uma atitude planejada. Planejamento num projeto de país, de nação, que não prioriza Conhecimento, Identidade/Patrimônio Cultural ou Ciência. E a Ciência tem sido uma das maiores produtoras de “verdade” no Planeta. Instituição que promove “verdade” através de processos de análise, medição e interpretação dos fenômenos ainda não superados. Ela permitiu revoluções no pensamento humano e sociedade geral. Foi fundamental na Democracia, na quebra de Paradigmas Racistas, Machistas ou Xenofóbicos, na Saúde, Tecnologia e Sociedade. A Ciência já compreende os fenômenos da Irracionalidade Humana, assim como os Sistemas de Controle e Desigualdade nas Repúblicas. Um conhecimento que tem se tornado denúncia de mentirosos controladores das massas. Hoje a Ciência é alvo de ataque: dos despeitados não cotistas incapazes de obter uma vaga em Universidades de Ponta mesmo com todo privilégio (quanta incompetência…) aos interesseiros e ignorantes que temem ser descobertos em suas mentiras e dogmas manipuladoras. Olha que a Ciência nunca foi uma Instituição que atuou pelas massas. Mesmo hoje sendo um campo de disputa de múltiplos narradores da verdade, ela é elitista. Bem coerente que a Arte hoje esteja organicamente relacionada com a Ciência, não é mesmo?

Quem não entende de Economia não vai saber como elites empoleiradas na burocracia do poder optaram por um plano de austeridade social pública em detrimento do protecionismo para si e seu grupinho de netos dos barõeszinhos latifundiários. Sem as farsas sociais que te fazem acreditar que não deve dar um tapa na cara da Raquel Dodge, nada poderia sustentar nossa realidade. Somos seres influenciáveis, tomados pelo medo da morte e em constante auto felação – não importa a autoimagem deformada que possa possuir.  O poder de moldar o pensamento humano reflete diretamente nas atitudes. Ideias de submissão, subalternização, debilidade, fraqueza associados ao poder dos símbolos, ideias e imagens… constróem um país. A Arte sempre foi legitimada pelo Poder por seu potencial de influência.

Direto ao ponto, sem os choramingos dos marchands mentirosos, a Arte obedece ao dinheiro como um Totozinho dócil que se urina toda vez que vê o dono. Toda revolução artística que entrou para a História da Arte, Patrimônio Cultural da Humanidade, Movimentos Artísticos, tiveram sua narrativa moldada por Historiadores Brancos cooptados pelos mesmos barõeszinhos.

A Arte, História, assim como a Ciência em si, hoje é palco de luta de quem define verdades globais. Em nosso país, as denúncias da Ciência são claras: vivemos entre exploradores sujos e não temos motivos racionais para aceitarmos qualquer arbítrio. Os cortes de verba resultaram na morte uma fatia infinita da História. Foi planejado. É desejada a destruição da História Tupiniquim, dos cientistas denunciadores que superaram mentiras e dogmas. A ignorância é fundamental ao arbítrio. Se acha que deve viver de cabeça baixa, é inseguro para escolher a própria vida, obedece porque “tem juízo”… assuma sua posição de capacho. Deita! Capacho é feito pra pisar.  Somos humanos. O Incêndio do Museu Nacional foi um tapa pesado na nossa cara. Dado por um grupo de pessoas que nem pensa ser brasileiro. Os brancos ricos do país pensam que são da Europa. São muito patéticos.

Tenha dignidade. Indigne-se!

 

CANDÉ COSTA

CANDÉ é estudante de História da Arte e carioca da Zona Norte da cidade. Filho da Babilônia, transita por vários movimentos urbanos contemporâneos. Artista visual, curador da @Africanizze, coordenador do afoxé 2.0 da UFRJ e mochileiro old school.
Instagram @Africanizze | Facebook – Candé Costa http://www.cargocollective.com/candecosta

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