Crítica semanal Ludimilla Fonseca

Trabalho de graça no que você precisar até o final do ano

A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo sugeriu aos casais LGBTI que oficializassem suas relações antes de 2019. A declaração foi embasada no receio da Comissão de Diversidade Sexual OAB-SP de uma possível revogação da decisão de 2011 do STF que concede direitos iguais aos casais hetero e homossexuais.

Como resposta, uma rede de solidariedade e resistência foi criada online. “Trabalho de graça no seu casamento LGBT até o final do ano”, diz o post espalhado pelas redes sociais. A hashtag #casamentoLGBT se tornou um dos assuntos mais comentados do Instagram, resultando, inclusive, na criação de um formulário com nomes de profissionais diversos interessados em colaborar na realização das cerimônias.

Foi bonito ver essa mobilização. Mas ao mesmo tempo, a sensação de contagem regressiva bateu forte. A eleição de Bolsonaro colocou em xeque valores democráticos, diretos humanos, dos trabalhadores, do meio-ambiente, a manutenção da educação, da cultura e das artes, etc. etc. Como consequência, essa eleição colocou nossos desejos, planos íntimos, vontades e planejamentos pessoais em suspensão.

Faltam menos de dois meses para a posse do novo presidente e a lista de coisas que temos que correr para fazer é enorme. Adiantar casamentos LGBTs (e o 13º salário) é apenas uma delas. Também temos que adiantar exposições, shows, a mudança para o nordeste, a conclusão de todos os estudos, a aposentadoria… Enfim, a lista é interminável. A sensação é de que quando esse mandato começar, não vai dar mais tempo de nada: as horas vão começar a passar para trás.

 

Mas frente as ansiedades e os temores, temos capacidade e vontade de organização, mobilização, resistência e autocuidado.  Não é trabalhar de graça. É trabalhar sabendo que receberemos no futuro. Vale a pena. Sigamos.

ludmillaLUDIMILLA FONSECA é comunicóloga e jornalista formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Paralelamente, trabalha como curadora e produtora independente de projetos artísticos. Mineira, atualmente, reside no Rio de Janeiro, se dedicando aos estudos curatoriais e de história da arte. Especializada em storytelling, suas principais áreas de interesse são: arte contemporânea brasileira, semiótica e cinema.

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