Crítica semanal Ludimilla Fonseca

Os tops e flops das Artes Visuais em 2018

 

 É chegada a hora das famigeradas listas e retrospectivas de final de ano. 2018 está sendo muito difícil. Mas já que 2019 promete ser ainda pior, vamos relembrar este ano como um exercício de revisão e libertação.

 

Mas, de antemão, vale reconhecer que listas são sempre problemáticas e que, no caso das exposições, é ainda pior: só listamos projetos grandes, do eixo Rio-São Paulo, feitos por curadores reconhecidos, etc. Sim, precisamos melhorar. Mas fica pro ano que vem, taokey?

 

Começando pelas melhores e/ou mais relevantes exposições do ano:

 

Tops

1) “Mulheres Radicais”, com curadoria de Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta, na Pinacoteca

2) “Histórias Afro-Atlânticas”, com curadoria de Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo, no Masp

3) “Arte-Veículo”, com curadoria de Ana Maria Maia, no Sesc Pompeia

4) “AI-5 50 ANOS – Ainda não terminou de acabar”, com curadoria de Paulo Miyada, Instituto Tomie Ohtake

 

Destaques Internacionais

– “Ai Weiwei: Raiz”, com curadoria de Marcello Dantas, na Oca (SP)

– “Hilma af Klint: Mundos Possíveis”, com curadoria de Jochen Volz, na Pinacoteca

– “Jean-Michel Basquiat”, com curadoria de Pieter Tjabbes, no CCBB

– “Visões do Tempo”, de Bill Viola, com curadoria de Kira Perov, Juliana Braga de Mattos e Sandra Leibovici, no Sesc Avenida Paulista

– “Ex Africa”, com curadoria de Alfons Hug, no CCBB

 

Este ano também presenciamos uma pequena (e muito necessária) abertura para a questão das mulheres no cenário artístico. Além de “Mulheres Radicais” na Pinacoteca, segue uma lista só das exposições delas. Só lembrando que ainda é muito pouco e a gente quer mais.

Lista Delas

– “Arte Tem Gênero? Mulheres na Coleção de Arte da Cidade”, no Centro Cultural São Paulo

“Mulheres na Coleção MAR”, no Museu de Arte do Rio

– “Anna Bella & Lygia & Mira & Wanda”, com curadoria de Raphael Fonseca e Pablo Leon de la Barra, no MAC Niterói

“Sônia Gomes – A vida renasce, sempre”, com curadoria de Raphael Fonseca e Pablo Leon de la Barra, no MAC Niterói

– “Valeska Soares – Entrementes”, com curadoria de Julia Rebouças, na Estação Pina

“Rosana Paulino – A costura da memória”, com curadoria de Valéria Piccoli e Pedro Nery, na Pina Luz

Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil”, com curadoria de Luis Pérez Oramas e Stéphanie D’Alessand, no Moma em Nova York

– Destaque para “Alfaiataria” da artista Laura Lima na Pinacoteca.

 

2018 não foi só de sustos. Tivemos algumas boas surpresas:

 

Grandes Surpresas do Ano

“Claudio Paiva – O colecionador de linhas”, com curadoria de Evandro Salles e Catherine Bompuis, no Museu de Arte do Rio

– Homenagem a Lucia Nogueira na 33a Bienal de Arte de São Paulo, com curadoria de Gabriel Pérez Barrero

 

Mas claro, aconteceu MUITA coisa estranha esse ano. Então, vamos para a seção mais aguardada: os flops de 2018.

 

Flops

1) 33a Bienal de Arte de São Paulo, com curadoria-geral de Gabriel Pérez Barrero

2) Remontagem de “Queermuseu” na EAV Parque Lage no Rio de Janeiro

3) Candidatura do curador Galdêncio Fidélis à deputado federal pelo PT do Rio Grande Sul

4) Decisão do MAM Rio de vender o Pollock

5) Paulo Bruscky ser agredido em um bar no Recife, após uma discussão de teor político

6) Homem que caiu no buraco de 2m de profundidade da obra ‘Descida para o Limbo’, de Anish Kapoor

 

Prêmio Especial “Flop que virou pop”: autodestruição da obra de Bansky

 

E claro, temos menções especiais:

 

Menções Honrosas

1) Trambique do ano: acordo que Bernardo Paz, fundador do Inhotim, assinou com o governo de Minas Gerais para que vinte obras de arte do acervo do museu fossem transferidas ao estado como forma de quitação de dívidas de ICMS das suas empresas.

2) Iconografia do ano: Clip “Apeshit” de Beyonce e Jay-Z. Gravado no Louvre, o vídeo é a melhor aula de história (decolonial) da arte em 2018. O casal Carter é tão influente que inspirou a próxima menção:

3) Vergonha Alheia do ano: a crítica que Sheila Leiner publicou no Estadão sobre o videoclipe dos Carters. Intitulado “Bacanal narcisista no Louvre”, o texto é tão racista que chega a ser difícil de ler.

4) O exemplo do ano: em sua rápida passagem pelo Brasil, Katy Perry visitou mais museus do que a maioria dos brasileiros costuma frequentar durante o ano todo. A cantora visitou o MAC USP e Museu Afro Brasil.

5) Melhor resposta por e-mail do ano: Donald Trump pediu emprestado ao Guggenheim de Nova York o quadro “Paisagem com Neve” de Van Gogh para decorar seus aposentos na Casa Branca. A curadora Nancy Spector respondeu (por e-mail) que o quadro não estava disponível e ofereceu a obra “America” do artista italiano Maurizio Cattelan, uma privada de ouro 18 quilates instalada em um dos banheiros da instituição e que é usada pelo público. Trump teve que se contentar com seu Renoir falso na parede.

 

Certamente, não vai ser fácil superar 2018. Além de tudo isso, este ano entra para a história marcado pelo incêndio do Museu Nacional e pelas mortes de Marielle e Anderson e de Matheusa Passareli. Por hora, basta dizer que não vamos esquecer. Faremos questão de continuar lembrando.

 

ludmilla

Ludimilla Fonseca é jornalista pela UFJF (MG) e mestranda em História e Crítica da Arte na UFRJ. Curadora e produtora independente, escreve regularmente para as revistas Desvio, Híbrida e O Fermento”.

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