CRÍTICA DE ARTE Crítica semanal Mayã Fernandes

“Sem plano nem piloto”

 

“Sem plano nem piloto” é uma exposição de artes visuais do arquiteto, fotógrafo e cineasta Luis Jungmann Girafa. Com a curadoria de Renato Cunha, a exposição conta com pintura, fotografia, desenho e escultura. O artista representa as linhas de Brasília sob o olhar de quem viveu por muito tempo na cidade e consegue ver sem melindres.

A exposição apresenta quatro ambientes. Em seu primeiro, intitulado “Pentimentos”, o ambiente, segundo o curador, deriva de uma palavra em italiano que significa “arrependimento” e que, na obra, relaciona-se com um refazer do processo pictórico em que o artista cobre o que não considera satisfatório. De toda a mostra, esse ambiente é o que quebra com a expectativa de uma exposição sobre Brasília. Exposições sobre Brasília abordam o céu, o calor, a secura e o concreto. A questão paisagística é o cartão postal da cidade. A cor utilizada para caracterizar a cidade é o azul.  Contudo, Girafa ousa ao utilizar o vermelho e representa de modo único a intensidade escondida nas relações dos brasilienses.

WhatsApp Image 2018-12-15 at 12.31.12Luis Jungmann Girafa. Vida em blocos. Acrílica sobre tela. Díptico atípico, 2018.

O segundo ambiente, “Praça dos sem poderes” mostra a utopia da criação do eixo central de Brasília, em que engloba a Praça dos três poderes e os Ministérios. Quem conhece a cidade, sabe que é um dos lugares mais desertos e inférteis da capital. Entendo que nesta parte da exposição, o artista provoca o espectador. Nota-se em suas representações, sinais de urbanidade, algo que é destoante da realidade desses espaços de poder.

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Luis Jungmann Girafa. Setor de direitos humanos. Acrílica sobre tela, 2018.

O terceiro e quarto ambiente, “Eixe-o ou Deixe-o” e “Entreasas” exploram de modo sarcástico o cotidiano na cidade. Por meio de fotografias, escultura e desenhos, o artista metaforiza o viver em Brasília, captando momentos passados para ressignificá-los no presente.

“Sem plano nem piloto” é uma exposição cuja abordagem é original. O texto curatorial impecável, o projeto expográfico claro, as obras notáveis e o nome sugestivo da exposição, fazem com que a experiência da visitação seja surpreendente.

 

maya

 

MAYÃ FERNANDES é formada em Filosofia pela UnB e atualmente é mestranda em Metafísica pela mesma instituição. É pesquisadora da Cátedra UNESCO Archai: Origens do pensamento Ocidental e editora da PHAINE: Revista de Estudos Sobre Antiguidade. Estuda a teoria do belo na antiguidade e escreve crítica de arte no site Linhas de fuga.

 

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