Crítica semanal Gabriela Manfredini

O QUE AS MELHORES EXPOSIÇÕES DE ARTE DE 2018 TÊM EM COMUM?

Foi publicado no dia 5 de dezembro, no The New York Times, uma lista com as principais e melhores exposições de arte de 2018 por três críticos de arte do aclamado jornal nova-iorquino. Vou destacar brevemente as escolhas de Roberta Smith e Holland Cotter.

ROBERTA SMITH:

  • “Hilma af Klint: Pinturas para o Futuro” no Museu Guggenheim. (Ela também esteve na Pinacoteca com a exposição Mundos Possíveis de março a julho deste ano). Mulher percursora da arte abstrata que ganhou notoriedade somente nos últimos anos.
  • “Posando na Modernidade: a modelo preta de Manet e Matisse até hoje” na Galeria Wallach da Universidade de Columbia. Esta exposição traz novos detalhes sobre a situação e a presença das mulheres negras na vida e arte de Paris do final do século XIX até o presente. Traça a linhagem da figura feminina negra na arte moderna desde “Olympia” de Édouard Manet
  • “Entre mundos: a arte de Bill Traylor” no Smithsonian Museu de Arte Americano. Bill Traylor foi um artista autodidata afro-americano que nasceu ainda no período de escravidão. Começou a desenhar com 85 anos documentando suas lembranças.

HOLLAND COTTER:

  • “Histórias Afro-Atlânticas” no MASP e Instituto Tomie Ohtake.

História da diáspora africana no ocidente. Destaque para a diversidade de artistas, com evidência para as produções feitas por negros e negras num país que conta com a maior população negra do mundo fora da Nigéria. Destaque para artistas que muitas vezes são esquecidas pela historiografia tradicional da história da arte.

  • “Memorial Nacional pela Paz e Justiça” memorial para violência racial na cidade de Montgomery no Alabama. Obra onde estão inscritos os nomes de muitos dos 4 mil afro-americanos linchados entre 1877 e 1950.
  • “Adrian Piper: Uma síntese de intuições 1965-2016” no MoMA. Segundo o próprio critico é “uma pesquisa de 50 anos de um artista americano que tomou como temas o racismo, a misoginia e a xenofobia, recusando-se a ser definida por eles, fez com que o museu parecesse um local comprometido com a vida.”
  • “Charles White: retrospectiva” no MoMA

Charles White foi um artista americano conhecido por narrar assuntos afro-americanos em pinturas e murais. O trabalho mais conhecido de White é “A Contribuição do Negro para a Democracia Americana”, um mural na Universidade de Hampton.

  • “Zoe Leonard: pesquisa” no Museu Whitney de Arte Americana

Leonard era ativa na defesa da AIDS e na política “queer” em Nova York nos anos 80 e 90. Em 1992, ela escreveu “Eu quero um presidente”, um poema inspirado na candidatura de Eileen Myles à presidência.

Eu quero um presidente - Zoe Leonard

  • “Ferro impressionante: a arte dos ferreiros africanos” no Museu Fowler de Arte e Cultura, Universidade da Califórnia. Uma exposição que enaltece os usos tradicionais de ferro na África.
  • A anunciação do Museu Metropolitano de Arte sobre a renovação de suas galerias de arte existentes na África, Oceania e nas Américas. A renovação seria uma oportunidade para remapear a história global com precisão, fazendo conexões transculturais entre objetos antigos e novos, ocidentais e não ocidentais.
  • A comunicação do presidente francês Emmanuel Macron sobre a intenção de devolver objetos de arte africanos nos museus de sua nação aos seus países de origem, temporária ou permanentemente.

O que as melhores exposições do ano têm em comum?

Nas 11 exposições e acontecimentos acima citados, há uma preocupação urgente no meio artístico de destacar mulheres e artistas negros, em especial, africanos. Afinal, eles estão apenas ocupando um lugar que é seu por direito, mas que lhes era negado. A lista de 2017 já antecipa esta tendência, porém, este ano ela vem muito mais robusta.

O mundo da arte – assim como todas as atividades no mundo – sempre foram predominantemente de homens brancos (e heterossexuais). E se para parte da sociedade, a política e o Estado ainda está difícil enxergar, a arte está fazendo sua parte. Pouco a pouco as pessoas se darão conta de que há uma dívida histórica a ser quitada e o mundo da arte antecipa e reitera essas obrigações. Vale ressaltar também que o MASP fará exposições dedicadas a artistas mulheres durante os próximos dois anos.

 

gabriela

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s