Crítica semanal Mayã Fernandes

Ao vencedor as laranjas

Na última quarta-feira, 26, o Laranjão, monumento símbolo da cidade de Laranjal Paulista (SP) amanheceu com o dizer “Queiroz?”. Com a atuação de Fabrício Queiroz, o motorista, como “laranja” da família Bolsonaro, e a sua demora em realizar o depoimento no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MP-RJ), só aumentou o descontentamento de parcela da população, que mostrou sua indignação por meio de intervenções urbanas.

Enquanto os eleitores de Bolsonaro fingem não ver, os críticos do governo utilizam da arte para demonstrar sua insatisfação. As Intervenções Urbanas são intervenções visuais realizadas em espaços públicos. Recriando paisagens, as intervenções modificam o projeto urbanístico das cidades propondo novos diálogos e olhares para a sociedade.

As cidades já eram espaços de manifestações artísticas, e frente ao cenário de opressão estatal, elas possuem um papel crucial. Contudo, existe uma criminalização progressiva dessas intervenções urbanas. Enquanto a insatisfação é posta por meio das artes, o governo responde com repressão policial.

Um exemplo disso é o esquema montado para a posse de Bolsonaro. O clima em Brasília é de vigilância. Com mais de 60% da população votando em Bolsonaro, Brasília nunca escondeu a face conservadora. Diante a posse, o delírio da preparação da sequência de interdições do eixo central de Brasília é um demonstrativo de como a repressão irá funcionar.  Acredito que será inviável qualquer forma de expressão durante a primeira semana de janeiro de 2019. Acredito que as intervenções urbanas serão vistas como sendo cada vez mais transgressoras. De todo modo, contamos com a ironia das pessoas que se arriscam em sair do meio virtual e transpor para a cidade seu incômodo isso denúncia.

Foto de capa de Júlia Maria, enviada por Marcos Pires.

maya

 

MAYÃ FERNANDES é formada em Filosofia pela UnB e atualmente é mestranda em Metafísica pela mesma instituição. É pesquisadora da Cátedra UNESCO Archai: Origens do pensamento Ocidental e editora da PHAINE: Revista de Estudos Sobre Antiguidade. Estuda a teoria do belo na antiguidade e escreve crítica de arte no site Linhas de fuga

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s