Crítica semanal Ludimilla Fonseca

Na capa da revista

Para além do mercado editorial, as revistas são um dos produtos de comunicação mais extraordinários. Situam-se numa espécie de “zona franca”, na fronteira entre os jornais e os livros. Não têm a missão da profundidade literária destes últimos nem a obrigação da capacidade informativa de um jornal (embora inúmeros títulos o façam). Os bons veículos contêm a dose exata de produção, apuração, contextualização, opinião, design, imagem e publicidade. Poderíamos, então, dizer que são inúteis, dispensáveis, um luxo – o que nada mais é do que um elogio. Temos que elogiar, inclusive, o alto grau de segmentação das revistas: por assunto de interesse, preço, qualidade jornalística, nível de sensacionalismo e manipulação, valor de marca… Tem de tudo, para todo mundo.

As revistas são os veículos que combinam conteúdo informacional com um apelo fortemente visual.  A começar pelas capas: estar na capa quer dizer muita coisa, . A polêmica da semana, o furo do mês, a foto do ano. Tem ilustração, colagem, tipografia, editoração, criatividade e identidade gráfica. Grandes editorxs, grandes fotógrafxs, grandes designers e grandes colunistas estão por trás das páginas que viramos apressadamente antes da nossa consulta médica começar. As revistas têm personalidade forte, imagem de marca bem estabelecida e, sobretudo, se são especializadas, tornam-se referência obrigatória naquele segmento.

Óbvio que a adaptação é inevitável: quem não esticar para além das bancas/assinaturas e entrar nos celulares/newsletters não vai mesmo sobreviver. Mas uma coisa caminha lado-a-lado com a outra. Seja como for, on ou off (mas, principalmente, off) não menosprezemos o papel cultural das revistas. Elas são registros sócio históricos fundamentais. Elas são espaços, vozes, articulações, arenas de discussão e de diversidade de opiniões. Não podemos deixar nenhuma mais uma página em branco neste momento em que precisamos tanto rescrever nossa história.

ludmilla

 

Ludimilla Fonseca é jornalista pela UFJF (MG) e mestranda em História e Crítica da Arte na UFRJ. Curadora e produtora independente, escreve regularmente para as revistas Desvio, Híbrida e O Fermento”.

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