Crítica semanal Gabriela Manfredini

A ARTE É INSTAGRAMÁVEL?

“Florescem iniciativas que incitam a desconexão pontual (um dia por semana, um fim de semana, um mês) como forma de medir sua dependência dos objetos tecnológicos e reviver uma “autêntica” experiência do real. É evidente que a tentativa se revela vã. O simpático fim de semana à beira-mar com a família e sem smartphone é vivido, antes de tudo, enquanto experiência de desconexão; isso significa que ela é de imediato projetada no momento da reconexão, e de sua partilha na rede.”

Publicado originalmente como um capítulo do livro do Comitê Invisível

Aos Nossos Amigos: Crise e Insurreição. N-1 Edições, São Paulo. 2015

 

De acordo com o Design Boom, o valor de mercado de “influencers” do Instagram chegará a US $ 2,38 bilhões em 2019. Os influencers não são só os blogueiros e famosos, mas artistas também. Alguns artistas conseguiram alavancar suas carreiras através do instagram. É o caso da artista irlandesa Genieve Figgis, Bras Philips e do Alphachanneling. Ferramentas como o stories, a postagem de fotos e vídeos do processo de uma obra e a troca de likes e comentários com outros usuários ajudam neste processo.

A mídia social é um concurso de popularidade. E para isso é preciso esforço e muito tempo online. Não faltam sites onde pessoas podem pagar para receberem seguidores-robôs. Com 30 reais é possível comprar mil seguidores. Porém, esta tática é altamente desaconselhável.

Ao mesmo tempo em que é bom receber comentários de amigos, seguir o trabalho de artistas, museus, etc, é uma plataforma que limita a arte, de certa maneira. Alguns artistas relatam que começaram a produzir mais obras baseados em gostos e comentários de pessoas do Instagram. Muitos artistas jovens estão sendo influenciados por um tipo de arte que está na “moda”. A rede de alguma forma homogeneiza a arte, talvez porque todas as imagens que passamos horas vendo ficam em nosso subconsciente.

Na minha opinião, o Instagram decai quando deixa de mostrar as fotos por ordem cronólogica e passa a ordenar por engajamento – seja lá o que isso quer dizer – um trabalho feito por algoritmos. Além disso, existe a censura do site. Nudez não é permitida. Já vi algumas fotos serem excluídas do Instagram da Adriana Varejão, assim como fotos de tribos indígenas e outras obras de arte com nudez. Isso apesar do site informar que “não permitimos nudez no Instagram. Isso inclui algumas fotos de mamilos femininos, mas as fotos de cicatrizes causados por mastectomia e mulheres amamentando são permitidas. Nudez em imagens de pinturas e esculturas também é permitida.”  Por todos esses motivos, há cada vez mais artistas que saem das redes sociais, se recusando a participar desta autopromoção.

anna

Artistas da performance – que é o caso da Anna Costa e Silva (foto acima) – e instalação têm mais dificuldade de publicar sua arte através da rede e consequentemente tem menos seguidores. A maior parte dos bem-sucedidos na rede são grafiteiros, fotógrafos e pintores.

A rede ajuda muitos artistas a venderem prints e obras, se manterem atualizados e até o surgimento de collabs através da rede. Mas para a grande maioria – principalmente os que trabalham com arte contemporânea – o Instagram não faz diferença. Muitos não possuem uma conta, e os que tem, não costumam usar para postar sua arte como é o caso do Viz Muniz, Adriana Varejão e Ai Wei Wei.

Há algum tempo venho me preocupando com as redes sociais. Percebo que eu e muitos dos meus amigos às vezes passamos – ou perdemos – muito tempo nestes aplicativos. O livro “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais” virou um bestseller no ano passado, provando que a preocupante situação tem chamado atenção de muita gente. Quando viajo para lugares onde não tem sinal de celular, me sinto mais em paz. Depois das eleições – que foi um período frenético de uso das redes sociais – apaguei o app do Facebook do meu celular e agora só entro no site raramente. Mas ainda mantenho duas contas no Instagram, uma pessoal e outra para trabalhos artísticos, porque eu não sei misturar as coisas. Confesso que sempre me pego pensando em sair, ou pelo menos, apagar uma das contas.

Há duas semanas, decidi baixar o app Minutiae. Ele é uma rede “antisocial” onde não existem likes, comentários e seguidores. Uma vez ao dia, o aplicativo manda uma notificação e a partir disso você tem um minuto para tirar uma foto. Em troca, você recebe uma foto de algum anônimo ao redor do mundo. Tenho gostado de usar o app, você não corre o risco de “viciar” pois só usa ele uma vez por dia, isso se você não estiver dormindo, tomando banho ou longe do celular quando ele te notificar. Infelizmente o aplicativo é pago e custa aproximadamente 50 reais.

O vício da mídia social não é um problema apenas para os artistas, mas se o papel do artista é criar, compartilhar e contribuir além dos limites existentes, o quadradinho do Instagram parece ser uma caixa que apenas cria ansiedades. Por isso, THINK OUTSIDE THE BOX!

Se você não pretende se desligar do Instagram tão cedo, aqui vai uma lista com meus artistas preferidos:

@buttonfruit

@genievefiggis

@tineisachsen

@pacopomet

@sebastianbrajkovic

@alisonblickle

@nodoa_

gabriela

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s