Crítica semanal Mayã Fernandes

O prêmio Vera Brant e o legado da professora para as Artes em Brasília

 

No mês de janeiro tiveram início as inscrições para o 2º prêmio Vera Brant de Arte Contemporânea. Com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o prêmio busca selecionar artistas do Distrito Federal e Entorno que não são representados por nenhuma galeria, que não tenham realizado mais do que duas exposições individuais e que não tenham sido premiados em prêmios nacionais ou internacionais. Essa iniciativa busca dar visibilidade e incentivar a cena artística do DF e criar pontes investigativas entre diretores de museus, colecionadores, galeristas e o público geral.

O prêmio é uma homenagem à Vera Brant, pioneira de Brasília, pensou a Universidade de Brasília em conjunto com Darcy Ribeiro. Em sua residência no Lago Norte, Brant reunia diversos artistas, políticos, arquitetos e escritores de sua época. Além de que era incentivadora e colecionadora ávida da produção artística visual de excelência da nova capital.

Em busca da manutenção do legado de Brant, o grupo seleciona, por meio de edital, doze artistas que participarão de uma residência artística na Casa Niemeyer, por meio de parceria entre o Prêmio e a CAL/UnB, com duração de dois meses. Durante a residência, o papel da curadoria será essencial para o acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos. Ao fim, os artistas realizarão uma exposição coletiva e as obras serão doadas para a Secretaria de Cultura do Distrito Federal. O interessante do prêmio é que dos doze artistas, ao fim da primeira exposição, um será selecionado para fazer residência artística em Barcelona, na Espanha, no Centro de Arte e Cultura Espronceda.

Minha expectativa é que no decorrer da seleção final dos artistas sejam consideradas questões de gênero, raciais e socioeconômicas. Itens como esses deveriam ser pré-requisitos para a inscrição de prêmios que buscam criar pontes e dar visibilidade aos artistas. Não podemos esquecer que no meio das Artes Visuais, e em Brasília não é diferente, os artistas premiados são aqueles que de antemão já possuem condições, sobretudo financeiras, de conseguir visibilidade e patrocínio.

 

maya

 

MAYÃ FERNANDES é formada em Filosofia pela UnB e atualmente é mestranda em Metafísica pela mesma instituiço. É pesquisadora da Cátedra UNESCO Archai: Origens do pensamento Ocidental e editora da PHAINE: Revista de Estudos Sobre Antiguidade. Estuda a teoria do belo na antiguidade e escreve crítica de arte no site Linhas de fuga.

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