Crítica semanal Gabriela Manfredini

A CULTURA É UMA CIÊNCIA INTERPRETATIVA

“Acreditando como Max Weber que o homem é um animal suspenso em quadros de significados tecidos por ele mesmo, considero que a cultura é composta por tais tramas, e que a análise disso não é, portanto, uma ciência experimental em busca de leis, mas uma ciência interpretativa em busca de significado.”

Geertz, C. (1989). A interpretação das culturas.

As teias de significados são a cultura que foi tecida pelo homem desde os primeiros grupos tribais, sociedades e civilizações. O desenvolvimento da linguagem ocorreu recentemente, entre 50 e 40 mil anos, na Eurásia. As primeiras tradições locais ancestrais nasceram livres de influência externas. A partir do desenvolvimento da linguagem, o homem passou a produzir artefatos culturais simbólicos impressionantes como figuras esculpidas de modo sofisticado em cavernas e pinturas.

A cultura é dinâmica – assim como o homo sapiens – e a sociedade está sempre em movimento e evolução. A humanidade hoje é tão variada em sua essência como em sua expressão. Traços se perdem, outros se adicionam, em velocidades distintas nas diferentes sociedades.

A arte sempre foi – e ainda é – consumida pela alta sociedade. Pense nas famílias reais – e na Igreja Católica – encomendando quadros de grandes artistas ou indo a concertos de música clássica. A cultura tem raízes mais populares, pois conta com lendas, música e folclore.

Atualmente, a cultura não é mais livre de influências externas como no início de seu desenvolvimento. Com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, surgem as industrias culturais – termo criado por Theodor Adorno. As industrias culturais, assim como os meios de produção e de comunicação são determinados pela elite. O cidadão não passa de um mero consumidor, que sofre com a dominação ideológica e passa a ter uma visão passiva e padronizada. A indústria cultural nas palavras do próprio Adorno “impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente”.

Não há experimentos reais para comprovar a cultura, apontando sua veracidade como nas ciências experimentais. Assim como a aranha naturalmente tece sua teia, o homem o faz com a cultura.

Diferente das três leis de Newton que operam sobre todos os corpos da Terra e do Universo, o homem e suas organizações não são regidos por verdades incontestáveis. Se Van Gogh não tivesse existido, provavelmente nunca teríamos visto A noite estrelada, mas se Watson e Crick não tivessem descoberto o DNA, certamente outro cientista o faria. Entretanto, há inúmeras similaridades entre cientistas e artistas como a intensa curiosidade e envolvimento na sua pesquisa. O artista tem o papel de articular seus sentimentos e sua visão numa linguagem universal. Cabe ao público interpretar a linguagem de cada artista.

Mas somente um nativo pode fazer uma interpretação correta da cultura em que vive. A tendência do ser humano é a de observar o mundo pela sua própria perspectiva e fazer sua própria interpretação e, às vezes, generalizações. Somente com muita observação e vivência em uma cultura, pode-se falar com propriedade sobre ela. Um bom exemplo é a fotógrafa Cláudia Andujar que durante 8 anos viveu em tempo integral com a tribo Yanomami para poder se familiarizar com os indígenas e fotografá-los. Para quem está em São Paulo, vale a visita no IMS onde está acontecendo  a exposição da artista.

 

gabriela

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

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