Crítica semanal Ludimilla Fonseca

Poema escondido (em crítica de arte)

Ele me convidou para jantar em sua casa.

Entre vinhos,

Me contou que seu terapeuta tinha sugerido que começasse a cuidar de plantas.

Então, pedi que me mostrasse.

Todas estavam bem, mas ele não sabia seus nomes.

“Essa é a avenca”; “aquela é o manjericão”; “a outra é alecrim”.

“Mas falta uma flor” – sorri.

– Será que ele vai lembrar meu nome pela manhã?

 

Acordei sozinha.

Não queria levantar, mas a chuva insistiu.

Pingos grossos batiam na janela como uma goteira em minha testa.

“Menos vinho, menos festa” – sorri.

Domingar

E folhear aquele livro de poesias jogado no sofá.

A vizinha já estava ao piano.

Me apressei para fazer o café

(porque prefiro as notas misturadas).

Ele gosta de Gullar e eu de Cortazar.

O café esfria

(porque não se pode parar de ler).

– Quando chove, as plantas não precisam ser regadas.

 

ludmilla

 

Ludimilla Fonseca é jornalista pela UFJF (MG) e mestranda em História e Crítica da Arte na UFRJ. Curadora e produtora independente, escreve regularmente para as revistas Desvio, Híbrida e O Fermento”.

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