Crítica semanal Gabriela Manfredini

Cem anos depois: qual é a importância da Bauhaus na atualidade?

A Bauhaus, escola de arte e design foi criada no dia 1 de abril de 1919. Muitas pessoas ao redor do mundo provavelmente conhecem seu legado como a luminária Wagenfeld, o prédio da Bauhaus, a cadeira Wassily e a cadeira Barcelona. É associada ao design austero, sóbrio, elegante e geométrico. Para muito além disso, o modernismo da Bauhaus influenciou e influencia diversos objetos e construções até hoje como o fusca, o Guggenheim e a Tate Modern.

A escola nasceu numa fase de otimismo entre duas guerras mundiais, num espírito de ideias libertárias e transgressoras. Ela unia um currículo teórico com o prático, arte com artesanato. Nas palavras de seu fundador Walter Gropius: “não existe nenhuma diferença essencial entre o artista e o artesão.”

Além disso, o design da escola prezava pela função dos objetos, a simplicidade na diversidade, o uso comedido do espaço, de materiais, do tempo e do dinheiro. Em tempos de consumismo desenfreado, montanhas de lixo e plástico sendo gerados todos os dias; estamos num ponto crítico de mudanças climáticas e efeito estufa, portanto o pensamento da Bauhaus de moderação deve estar mais vivo do que nunca para conseguirmos atingir um nível equilibrado com o meio ambiente.

Mas cem anos depois, a maior importância da Bauhaus na atualidade é o pensamento não convencional que teve na época. O nome Bauhaus significa em alemão “casa em construção” e foi realmente uma nova maneira de pensar o mundo. Segundo o filósofo chinês Byung-Chul Han, “vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade.” Na época, a escola fazia seus estudantes voltarem ao ponto zero nos cursos de iniciação. A ideia é que eles esquecessem tudo o que haviam aprendido até aquele momento sobre arte e design para recomeçarem, uma ideia que seria propícia aos dias de hoje.

Em tempos atuais de governos ultraconservadores, Brexit, fake news, deep web e crise de refugiados em todo o mundo devemos nos lembrar das ideias que fizeram nascer a Bauhaus. Walter Gropius alistou-se e lutou na Primeira Guerra Mundial, e num mundo emocionalmente perturbado, ele surgiu com a ideia de uma escola criativa que pudesse ajudar a construção de uma sociedade melhor dentro de um espírito de grupo. A tradição da escola ensina coragem e responsabilidade para formar o presente.

“Da mesma forma que antes, o que se demanda hoje é uma visão de mundo tão ampla e transdisciplinar quanto possível, e a busca por uma reação adequada ao que foi visto na arte, arquitetura, no urbanismo e na mídia”, diz Höllering, ex-estudante da Universidade de Weimar.

A informação e autonomia estão ao alcance de muitos com apenas um clique e é importante lembrar-se de estar aberto ao mundo e a novas experiências. As relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual. As competências interpessoais relevantes na sociedade atual perpassam pelo conceito do diálogo e da empatia criados para entender as manifestações (conexões) humanas que envolvem o conhecimento do outro; englobando suas ideias, sentimentos e experiências.

Esta nova visão de mundo é o que precisamos hoje para – continuar – a transformar a sociedade dentro de conceitos humanistas unindo habilidades cognitivas, afetivas e motoras do ser humano. Também é um lembrete de termos ambientes de educação – de lazer e de trabalho – que sejam propícios à vida, à renovação e a esperança de um mundo melhor.

gabriela

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

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