Crítica semanal Ludimilla Fonseca

No mar não tem para onde correr

no mar não tem pra onde correr

 

Quando aqui nada existia, eu aqui já vivia

Deito no chão e vejo os coqueiros invertidos

Naquele pedaço de mundo, muita coisa acontece

As crianças gritam com as ondas e a espuma vira bolha

O senhor penteia a areia com seus dedos grossos e pensamentos escassos

O casal dá mãos sem cruzar os olhos

O vendedor oferece o camarão e ninguém tem fome

Os rapazes pescam e levantam o anzol vazio

O helicóptero vigia o mar porque os salva-vidas estão de greve

Os guarda-sóis já não protegem e a cerveja esquenta

Areia nos olhos é marasmo diante da tormenta

Outro casal se beija e as pombas levantam voo como se fossem livres

Eles vêm aqui para relaxar, mas ao chegar em casa continuam cansados

 

 

ludmilla

 

Ludimilla Fonseca é jornalista pela UFJF (MG) e mestranda em História e Crítica da Arte na UFRJ. Curadora e produtora independente, escreve regularmente para as revistas Desvio, Híbrida e O Fermento”

 

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