Crítica semanal Gabriela Manfredini

QUEBRANDO PADRÕES

No sistema capitalista sempre existe uma pirâmide. No topo, a classe dominante, detentora de poder e dinheiro e na base, o proletariado, suporte de todo o sistema. No mundo da arte não é diferente. Feiras e eventos de arte participam de um sistema que quase sempre beneficia aqueles que são grandes e estão no topo. O custo, por exemplo, para estar numa feira de arte conta com taxas, fabricação, embalagem, envio, despesas de viagem e contratação de funcionários. Contando que parte das vendas vai para o artista, uma galeria precisa vender mais do que o suficiente para cobrir somente as despesas. Fora o público, que parece ser sempre o mesmo nesse tipo de feira.

Tentando resolver e amenizar estas questões, galerias menores, espaços independentes e outras iniciativas estão tentando se diferenciar para conseguir atingir um público com eventos diferenciados. O crítico de arte Jerry Saltz diz que “as galerias menores podem ter mais poder do que pensam se se unirem, fizerem exigências, colocarem pressão nas grandes feiras de arte em vez de dançarem exclusivamente conforme a música da feira de arte.”

Em São Paulo, alguns lugares como o espaço BREU, VÃO e PIVÔ fazem sucesso entre artistas emergentes e público alternativo com propostas diferentes das galerias tradicionais. A Revista Desvio além da recém-inaugurada galeria, promove eventos como o Artes Aquáticas – Verão em Queimados, que mistura arte contemporânea, samba, capoeira e piscina.

Abaixo, conto um pouco sobre quatro iniciativas artísticas gringas com propostas bem diferentes das tradicionais galerias “cubo branco” de arte que na minha opinião são dignas de uma olhadinha.

FELIX ART FAIR

Felix é uma nova feira de arte contemporânea com a missão de criar uma experiência de feira mais íntima para colecionadores, distribuidores e artistas que priorizam o conhecimento, a colaboração e a comunidade. Sua primeira edição aconteceu no Hollywood Roosevelt Hotel. Os quartos do hotel dão a possibilidade de encontrar algo genuinamente inesperado de uma forma que paredes brancas não conseguem. Fora, as obras dispostas nos banheiros que fogem totalmente do inesperado. (Lembrando que a ideia de uma feira dentro de quartos de hotel já foi utilizada por exemplo em 1994 na Gramercy International Art Fair).

OTHER PLACES ART FAIR

A feira pretende representar “o crescente movimento de espaços e projetos de arte difíceis de definir”. Apresenta uma mistura verdadeiramente eclética de arte, com exposições e experiências muitas vezes ignoradas pelos interesses mais comerciais das feiras de arte tradicionais. A feira aconteceu num espaço aberto, público e neutro da cidade para os participantes interagirem. Os artistas podem utilizar árvores, túneis, telhados, pequenos canteiros de concreto, gramadas e se utilizar da própria história do local para seus trabalhos.

PUBLIC POOL LA

Originalmente, o Public Pool (piscina pública) estava programado como um projeto puramente digital, com os trabalhos de arte instalados na piscina e documentados online. Mas aqueles que souberam do projeto expressaram interesse em ver o trabalho na vida real. Perry, o dono, começou o negócio na piscina da casa de seus pais.

Ele convida artistas para fazerem trabalhos que envolvam diretamente a água da piscina. Projetos anteriores incluíam gravuras em vinil que afundavam no fundo da piscina, pinturas flutuantes na superfície da água e obras de vídeo projetadas diretamente na água e refletidas na cerca da propriedade. As aberturas costumam ser no estilo de uma festa ou de um happy hour no quintal.

FLO KASEARU’S HOUSE MUSEUM

A casa foi construída no início de 1900 pela família Kasearu, onde mantinham uma loja de especiarias no térreo e alugavam quartos para inquilinos. Depois de 1945, quando a Estônia se tornou parte da União Soviética, a casa foi nacionalizada e a família foi forçada a deixar a casa. Com o fim da União Soviética em 1991, eles iniciaram um período de restituição de quase 20 anos que foi finalmente bem-sucedido. Em 2013 a família retornou como proprietário legal para cuidar da propriedade. A casa desempenha um papel muito importante na vida de Flo Kasearu – que é tataraneta dos primeiros donos – que além de moradia e atelier, agora funciona também como museu.

Peças de arte são exibidas para visitantes nos oito aposentos da casa, no sótão e no porão. No quintal um jardim agradável com instalações ao ar livre e um canto infantil podem ser encontrados. O museu também abriga uma biblioteca e uma lojinha.

gabriela

 

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

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