Crítica semanal Gabriela Manfredini

Quatro dicas para entender Expressionismo Abstrato

“Percebo que historicamente a função de pintar quadros grandes é pintar algo grandioso e pomposo. A razão pela qual eu os pinto, porém…é precisamente porque eu quero ser muito íntimo e humano. Pintar um quadro pequeno é colocar-se fora de sua experiência. No entanto, você pinta a imagem maior, você está nela. Não é algo que você comanda!” (Mark Rothko)

Por muito tempo não consegui entender e me sentia indiferente diante de arte abstrata, especialmente expressionismo abstrato. O que poderia ser tão interessante em uma tela gigante vermelha com um risco no meio? A arte não pode ser julgada como boa ou ruim, portanto, é necessário entender sua evolução e construção.

HISTÓRIA

O Expressionismo abstrato é um movimento artístico que surge em Nova York, no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. Trata-se do primeiro estilo pictórico norte-americano a obter reconhecimento internacional. Os Estados Unidos surgem como nova potência mundial e centro artístico emergente, beneficiado, em larga medida, pela emigração de intelectuais e artistas europeus.

Ao invés de imagens figurativas; cores, formas, linhas, curvas, materiais mistos e texturas são o foco das pinturas. O tratamento dado à forma geométrica numa pintura expressionista abstrata é bem diferente dos produzidos anteriormente. Rothko, por exemplo, usa bordas moles e borradas.

TEMPO

A qualidade de um trabalho expressionista abstrato pode ser medida principalmente pela maneira como você se sente. Para provocar uma resposta emocional dos espectadores, as obras requerem um encontro físico e, muitas vezes, prolongado. Gwen Chanzite – curadora de uma exposição dedicada ao Expressionismo abstrato – costuma dizer que “se você está olhando para uma pintura de Rothko, precisa dar tempo, para que você possa quase se perder dentro da tela.” Se você gastar tempo para mergulhar na tela, haverá uma recompensa.

SENSAÇÃO

Apesar da maioria dos pintores expressionistas abstratos trabalharem com telas enormes, a sensação é muito íntima e humana. Jay Meuser escreveu sobre sua pintura Mare Nostrum: “É muito melhor capturar o espírito glorioso do mar do que pintar todas as suas pequenas ondulações”. Rothko dizia que seus quadros são uma “expressão simples do pensamento complexo”. É também uma experiência quase religiosa, tanto que o artista é responsável por catorze telas dentro de uma capela que leva seu nome. A Capela Rothko fica em Houston e é ecumênico; um lugar sagrado aberto a todas as religiões e também centro de encontros culturais, religiosos e filosóficos internacionais.

DISTÂNCIA

A qualidade, a execução, as camadas de tinta só são realmente perceptíveis quando se vê os quadros de perto. Rothko chegou a recomendar que os espectadores se posicionem a menos de 45 centímetros de distância da tela, de modo que possam experimentar um senso de intimidade, bem como admiração e transcendência. O pintor Barnett Newman fez o mesmo: “Há uma tendência a olhar pinturas grandes a distância. As pinturas grandes nesta exposição destinam-se a ser vistas de uma curta distância.”

gabriela

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

 

 

 

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