Crítica semanal Gabriela Manfredini

A NORMALIZAÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE

Ao longo da história da humanidade, os aspectos da homossexualidade foram admirados ou condenados, de acordo com as normas sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram. No dia 23 de maio, um passo importante foi dado no Brasil: o STF decidiu criminalizar a LGBTfobia. Um grande avanço para o país que mais mata homossexuais e transsexuais no mundo.

A bissexualidade foi uma prática comum entre os homens na Grécia e Roma antigas. Sócrates, adepto do amor homossexual, pregava que o amor entre iguais era a melhor forma de “inspiração” e o sexo heterossexual servia apenas para procriar. Alexandre, o Grande, rei do reino grego antigo da Macedônia era amante de Hefastião, seu braço direito e ocupante de um importante posto no Exército. Quando ele morreu de febre, na volta de uma campanha na Índia, Alexandre caiu em desespero: ficou sem comer e beber por vários dias. Ele fez questão de dirigir a carruagem fúnebre decretando luto oficial em seu reino. Júlio César conhecido por ter sido ditador da República Romana e amante de Cleópatra, também teve aos 19 anos um relacionamento com o rei Nicomedes.

Alguns artistas transgressores e corajosos tiveram papel importante na normalização da homossexualidade e transexualidade perante a sociedade, colidindo com as normas tradicionais. Os dois principais artistas do renascimento italiano, Leonardo da Vinci e Michelangelo eram homossexuais – Leonardo mais bem-resolvido enquanto Michelangelo totalmente enrustido. Essas questões foram levantadas por Freud para tentar explicar a inimizade entre os pintores.

Entre os escritores, destaco Oscar Wilde que em 1895, durante seu julgamento, negou sua vida homossexual. Mas a partir do momento em que foi acusado com provas irrefutáveis, tomou a defesa do amor que praticava com um texto categórico onde falava sobre um “amor que não ousa dizer seu nome”. Marcel Proust, escritor famoso pela séria Em Busca do Tempo Perdido, era homossexual assumido e tratou do assunto principalmente no livro Sodoma e Gomorra e nos volumes subsequentes. Foi um dos romancistas da Europa a tratar do tema de forma aberta e detalhada.

Freddie Mercury, Elton John, David Bowie e George Michael são alguns dos artistas famosos que ajudaram muitas pessoas a se aceitarem se assumindo homossexuais. No caso de David Bowie, com seu personagem andrógino e excêntrico Ziggy Stardust. No Brasil, Cazuza, Cássia Eller, Ney Matogrosso e Renato Russo também quebraram preconceitos assumindo sua sexualidade ao público.

O assunto ainda é um tabu em famílias conservadoras, algumas religiões e esferas como por exemplo, o esporte. Diego Hypolito recentemente falou pela primeira vez sobre sua opção sexual. Ele descobriu ser gay aos 19 anos e escondeu a informação até mesmo de familiares, por questões religiosas e por medo de afetar sua carreira.

A homossexualidade e a transexualidade estão longe de ser mera questão de escolha pessoal ou estilo de vida. Estudos mostram que é uma condição enraizada na biologia humana. A criminalização da homofobia é um avanço considerável para a sociedade brasileira, mas a luta contra o preconceito continua.

gabriela

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

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