Crítica semanal Gabriela Manfredini

A EMPATIA AINDA VAI NOS SALVAR

No dia em que Bolsonaro foi eleito presidente no ano passado, choveram postagens com uma ilustração de mãos dadas com a frase “Ninguém solta a mão de ninguém”. A ilustração representou um gesto de companheirismo e empatia entre aqueles que não apoiavam o candidato.

A empatia é uma competência necessária para que a relação com o outro seja mais fácil e interessante. É um recurso capaz de transformar a maneira como nos relacionamos, uma vez que o conceito perpassa pela capacidade de nos colocar no lugar do outro. Ao ser empático o indivíduo dispõe-se a respeitar, ouvir, entender, compreender e refletir palavras e sentimentos do outro. A empatia pode ser tomada como causa do comportamento altruísta, uma vez que predispõe o indivíduo a tomar atitudes generosas. E, além disso, é considerada uma característica inata ao ser humano. Ou seja, a compreensão de nossa própria identidade é baseada na nossa relação com outras pessoas e permite compreender o outro para melhor compreender a nós mesmos.

O conceito de empatia é o antídoto para o individualismo e pode também estar intrinsecamente ligado à resolução de questões do cotidiano. Como uma reação as redes sociais e a solidão, projetos com esta temática estão efervescentes nas artes e na sociedade. Programas de residência focados em práticas sociais e na colaboração com uma comunidade, por exemplo, estão mais populares. Muitos artistas exercem essa competência de diferentes maneiras: na interação com o público, na obra propriamente dita, com o modelo que posa, no engajamento com um bairro ou lugar. Destaco abaixo quatro projetos artísticos sobre o tema.

WE’RE NOT REALLY STRANGERS @werenotreallystrangers

Nós vivemos nossas vidas em torno de estranhos todos os dias. Estamos conectados como jamais estivemos. Mas com que frequência estamos nos conectando verdadeiramente?

Estas são as perguntas que este projeto nos faz e a resposta é um jogo de cartas. Em seu site, eles dizem que “nós entendemos, conversar com as pessoas pode ser intimidante, especialmente pessoas que não conhecemos. Às vezes, nós só precisamos de uma aprovação social para iniciar uma conversa…nós oferecemos isso na forma de um novo tipo de jogo de cartas.” O jogo fez tanto sucesso que está esgotado até agosto. O feed no Instagram vermelho e branco tem frases de incentivo, empatia e amor em muros e outros lugares públicos.

JUST KISS ME @kissmeidiotproject/

O projeto apresenta casais em momentos muito íntimos, enquanto estão se beijando. O responsável é Rosendo Ayala Dávila, fotógrafo mexicano que usa seu celular, uma Canon ou Leica para tirar as fotos. A ideia surgiu numa viagem à Alemanha onde ele percebeu que as pessoas se beijavam mais em espaços públicos em comparação ao Estados Unidos. As fotos são encantadoras, voyeurísticas e em preto e branco.

SUBWAY HANDS @subwayhands

A conta mostra fotos de mãos de usuários do metrô. Uma ideia aparentemente simples, mas que consegue evidenciar a diversidade de pessoas, atividades e características de forma poética. A fotógrafa Hannah La Follette Ryan tira as fotografias com seu iPhone na cidade de Nova Iorque. As fotos são muito expressivas e bem enquadradas. Ryan descreve as mãos como partes do corpo que as pessoas não se preocupam muito, sugerindo que essa falta de atenção deixa algo transparecer.

HUMANS OF NEW YORK @humansofny

O ‘humanos de Nova York’ começou como um projeto de fotografia em 2010. O objetivo inicial era fotografar 10.000 nova-iorquinos nas ruas e criar um catálogo dos habitantes da cidade. Com o tempo Brandon Stanton começou a entrevistar os fotografados e escrever suas histórias nas legendas das fotos. A página tem 18 milhões de seguidores no Facebook. Com tanta fama, vários projetos de caridade bem-sucedidos foram feitos através de vaquinhas online. A filantropia conseguiu ajudar vítimas do furacão Sandy, pesquisas sobre o câncer, um orfanato em Ruanda entre outros.

Com tantas iniciativas interessantes e transformadoras, entendo que o homem moderno deveria tentar estabelecer relações, conhecer e compreender o mundo e a si mesmo, buscando pessoas e histórias diferentes. As pessoas precisam ser mais altruístas, se comunicar melhor e estar dispostas a se ajudar mutuamente. Assim, é possível desenvolver o espírito e o ambiente em que vivem. O homem sozinho não avança sem mentores que o conduzam pelo mundo.

gabriela

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

 

 

 

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