Crítica semanal Gabriela Manfredini

DICAS PARA PERSISTIR SENDO UM ARTISTA

Entre as maiores dificuldades de se persistir sendo um artista hoje estão: a insegurança, a comparação com os outros, o medo de não ser bem-sucedido, a falta de dinheiro e tempo. Trago abaixo três exemplos de artistas que desistiram (ou quase) de suas carreiras, mas conseguiram conquistar espaço.

Jerry Saltz, hoje conhecido e premiado crítico de arte e colunista da revista New York, foi artista entre os 22 e os 30 anos. No entanto, desistiu da carreira e nunca voltou a fazer arte. A vulnerabilidade, inveja e insegurança foram suas grandes inimigas. Ele resume bem os fantasmas que passam pela cabeça da maioria dos artistas:

“Você nunca foi para a escola. Seu trabalho não tem nada a ver com nada. Você não é um artista de verdade. Sua arte é irrelevante. Você não conhece a história da arte. Você não pode pintar. Você é muito pobre. Você não tem tempo suficiente para fazer o seu trabalho. Ninguém se importa com você. Você é uma farsa. Você só desenha e trabalha pequeno porque tem muito medo de pintar e trabalhar grande.”

Tom Zé, hoje considerado músico importantíssimo e influente da música alternativa, em 1973, começou a sumir do cenário musical. Ficou duas décadas de ostracismo e mais uma sobrevivendo à custa da simpatia do gringo David Byrne. Conforme o próprio artista ironicamente atestou:

“O que me salvou foi que eu sou um péssimo compositor, um péssimo cantor e um péssimo instrumentista. Então, quem é péssimo, tanto faz tocar piano como tocar enceradeira! Foi isso que me fez virar músico.”

O cantor Di Melo lançou seu primeiro disco em 1975, que fez muito sucesso no Brasil e na Europa. Se decepcionou com o pouco – míseros 11 cruzeiros – que recebeu da gravadora e resolveu sumir. Nesse “sumiço”, pegou a estrada com Geraldo Vandré, atuou como marchand informal trocando e vendendo as obras de arte que coleciona e tocou tarantelas misturadas com sambas por cantinas da cidade de São Paulo. A coisa melhorou em 2009, quando os diretores Alan Oliveira e Rubens Pássaro, separadamente, começaram a pesquisar a carreira do músico, desaparecido do grande público e presumido morto por boa parte de seus admiradores. Foi então lançado o documentário “Di Melo – O Imorrível”. Com apenas 25 minutos, o filme percorreu festivais e trouxe nova luz à carreira do artista, que se tornou um queridinho da cena independente paulistana:

 “Voltei a trabalhar pesado, não posso ficar de braços cruzados.”

Di Melo fala sobre o fundamental: insistir e continuar trabalhando sempre. Sabemos que muitos artistas – a maioria – levam uma vida dupla de trabalho para sustento e trabalho artístico nas horas vagas e possíveis. O mais importante é continuar sempre produzindo e criando, ciente da singularidade e importância de cada artista.

Beckett, dramaturgo irlandês dizia “Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor”. Charles Darwin, um dos maiores cientistas do mundo chegou a escrever: “Mas hoje eu estou muito pobre e muito estúpido e odeio todo mundo e tudo”. Ou seja, todos temos momentos difíceis, mas com entrega e sem medo conseguimos atingir nossos objetivos.

 

gabriela

 

GABRIELA MANFREDINI é uma artista emergente, designer e ilustradora residente em São Paulo. Interessa-se pelo universo artístico desde criança. Seu trabalho é principalmente envolvido por temas como conexão, encontros e empatia.

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