Crítica semanal Luiz Guilherme Barbosa

Cildo Meireles em Marte

DESVIO PARA O VERMELHO

não foram poucas as vezes em que fui abjeto

quando nasci num hospital

no engenho novo

nasci

à força e enforcado

todo

sujo

de mãe, por exemplo

como ainda agora quando

soube das crianças

defenderam pintar a paisagem colorida

no papel contra um mundo só vermelho

pois o vermelho fogo de marte

está na contramão da vida

nasci envolto no vermelho         

morno

todo

agarrado

por mão de plástico

atravessava o ventre

mergulhada no rubro mundo

da mãe

aonde volto

todo

surdo

fecho os olhos

a boca seca

digo que amo

e

sujo

sabendo a infâmia

o que digo

de repente

as leis

estão contra nós

entre búzios, perigos e terapia

estávamos

cada vez mais perto

de marte

onde não há notícia

de vida

 

Luiz Guilherme
Luiz Guilherme Barbosa
Professor de português e literaturas no Colégio Pedro II e doutor em teoria literária pela UFRJ. Escreve aos domingos sobre relações entre arte e literatura, arte em contexto digital, arte e política, e outras formas de desvio

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