Crítica semanal Luiz Guilherme Barbosa

Escola e universidade

Em 12 de julho desse ano foi publicado o Documento de Área 2019 de Linguística e Literatura da CAPES, coordenado pela professora Germana Sales, da UFPA. No documento, após um breve diagnóstico em que se verifica a insistência da concentração na região Sudeste dos programas de pós-graduação, tanto em quantidade quanto em qualidade, e a assimetria grande entre programas acadêmicos (que são 154) e programas profissionais (nove em todo o país), logo se indicam as inovações que a área requer. Além de integração disciplinar e internacional das pesquisas, ações de preservação do patrimônio linguístico e literário e o impacto social das reflexões na Área, o documento indica como inovação necessária o desenvolvimento da educação básica, em três frentes de reflexão e atuação: aprendizagem, formação de professores e políticas públicas. 

Assim, os programas de pós-graduação em Linguística e Literatura devem considerar prioritariamente seu “impacto educacional” na sociedade, o que, na página 11 do documento, compreende, entre outras, as seguintes ações:

  • integração e cooperação com escolas da educação básica;
  • desenvolvimento de propostas inovadoras de ensino; 
  • produção de materiais didático-instrucionais; 
  • participação em comissões para elaboração de políticas públicas na área da educação.

Em relação aos programas profissionais de pós-graduação, exíguos na Área, o documento é cauteloso, posicionando-se demandando maior especificidade na avaliação: 

É preciso, pois, delinear esse processo de avaliação para se explicitar com mais clareza qual é a vocação da Área de Linguística e Literatura no que tange ao lugar que os Programas Profissionais devem assumir no nicho da Área, sem haver uma sobreposição ou repetição de papéis em relação aos Programas Acadêmicos.

No entanto, cabe ressaltar que a perspectiva profissional de pós-graduação está vocacionada para os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, nos quais a disseminação dos saberes e a formação profissionalizante são prementes, diferentemente da vocação para a pesquisa das universidades públicas no sistema educacional brasileiro. Nesse sentido, a rede de IFs, que recentemente completou apenas uma década de existência, encontra um panorama de contingenciamento no orçamento que não favorece a sua expansão em programas pós-graduações, além das disputas internas históricas que procuram frear iniciativas de verticalização institucional. 

É nas páginas 17 a 19, enfim, que o documento especifica “medidas de indução” de aproximação dos programas de Linguística e Literatura com a educação básica, das quais destaco: o incremento de pesquisas que visem à melhoria da educação básica (viii), ou a aprendizagem da leitura e da escrita, inclusive em relação à literatura (ix); a transformação de estágios de docência na pós-graduação em estágios de docência na educação básica, fomentando um “PIBID da Pós” (xi), e o estímulo à criação de cursos e linhas de pesquisa em “Escrita Criativa”, com vistas à profissionalização de escritores em diversas áreas da cultura, como literatura, teatro, cinema e comunicação (xv). 

 

Luiz Guilherme
Luiz Guilherme Barbosa
Professor de português e literaturas no Colégio Pedro II e doutor em teoria literária pela UFRJ. Escreve aos domingos sobre relações entre arte e literatura, arte em contexto digital, arte e política, e outras formas de desvio

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