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#TBTDESVIO 007: Afroresistências – estética negra e novas narrativas

Na primeira edição da Revista Desvio, lançada no 2º semestre de 2016, contamos com a publicação de dois Cadernos Especiais, sendo um deles o Afroresistências – estética negra e novas narrativas. Anteriormente, quando nos referimos ao Caderno Especial – Africanidades, chegamos a mencionar como o interesse em debater tais questões nos acompanham desde a fundação do periódico. Contudo, naquele momento, não tivemos a oportunidade de apresentar o conteúdo desse que foi o primeiro Caderno Especial.  

Primeiramente, devemos lembrar que Afroresistências foi um evento realizado na Escola de Belas Artes da UFRJ, em maio de 2016, organizado por estudantes da graduação em História da Arte. Devido a sua relevância, resolvemos entrar em contato com os idealizadores e abrigar na revista uma parte da discussão levantada no seminário. O texto de apresentação do Caderno Especial, escrito por Angélica Arcasi, trouxe o que o grupo entende por afroresistências, descrito como “o acúmulo presente da consciência imemorial vivida pelos corpos negros até hoje” p. 49. Igualmente, no parágrafo seguinte ressaltou a importância do projeto dentro da acadêmia, isto é, o modo como buscam pensar e estimular o pensar de saberes não-eurocêntricos. Assim como as ações afirmativas têm possibilitado o ingresso de um número maior de alunos negros, indígenas e periféricos, existe também a demanda por uma renovação bibliográfica, uma diversidade étnico-racial nos pensadores estudados. No caso das Artes Visuais, além disso, faz-se necessário questionar a ausência de profissionais – artistas, curadores, produtores, etc –  em instituições públicas e privadas. Afinal, devemos contestar o sistema, mas para isso é necessário identificar e denunciar o empecilhos que os/nos impedem de ocupar esses locais.   

A publicação do Caderno Especial conta com três textos, sendo o primeiro de Simone Ricco, intitulado Mulher Negra: corpo, memória e protagonismo no audiovisual. Mestre em Letras na UFF, na área de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, em sua comunicação se dedicou a analisar o protagonismo da mulher negra a partir de quatro filmes nacionais, todos recentes. As produções escolhidas foram O dia de Jerusa e Personal vivator, ambos de 2014, Elekô e Kbela, de 2015. Já Samuel Lima, produtor e idealizador da Fortaleceu Produções, na época mestrando em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas na UERJ, contribuiu com o artigo Pixação – a cultura xarpi na cidade do Rio de Janeiro, onde buscou analisar o universo da pixação. Por fim, Ellen Mendonça Silva dos Santos, graduanda em Direito na PUC-Rio, A face negra do poder constituinte originário brasileiro: a atuação interseccional das Mulheres Negras do estado do Rio de Janeiro na construção das demandas na constituinte 1988. Segundo a própria autora, o interesse do estudo era partir de um debate “racial, filosófico, histórico e jurídico do Movimento de Mulheres Negras (…), evidenciando suas participantes, pautas políticas e a efetiva contribuição no exercício pleno da cidadania por intermédio da lei” p. 70.   

Infelizmente, o conteúdo do Caderno Especial não contempla um número maior de contribuições, tal como o próprio comitê do evento também não desdobrou as comunicações, oficinas, atividades, na publicação de um catálogo. Lamentamos profundamente a descontinuidade do projeto, e incentivamos que outros alunos, no futuro, retomem o que já foi iniciado, porque resistir é preciso – e não podemos esquecer disso jamais!!! 

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