TBTDesvio

#TBTDESVIO 008: Ana Maria Nacinovic

A primeira edição da Revista Desvio, lançada no segundo semestre de 2016, contou com a publicação de dois Cadernos Especiais. Na semana passada, relembramos o Afroresistências: estética negra e novas narrativas, desdobramento de um evento organizado por alunos do curso de História da Arte da Escola de Belas Artes da UFRJ. Portanto, agora, encerrando um ciclo, será a vez de comentar brevemente sobre o Caderno Especial Descomemoração dos 44 anos do assassinato de Ana Maria Nacinovic. Como podemos observar, inicialmente a seção em questão correspondia a dossiês, de recortes bastante específicos, organizados diretamente pelos membros da Revista Desvio. Não havia uma chamada aberta ao público, direcionada ao debate proposto, desse modo,  as pessoas eram convidadas a escrever sobre o assunto. A mudança desse sistema ocorreu somente em 2018, quando foi lançada a convocatória para o Caderno Especial Arte-Educação e Africanidades.

Mas afinal, quem é Ana Maria Nacinovic? Com uma breve pesquisa na internet conseguimos descobrir que ela nasceu em 1947, no Rio de Janeiro, frequentou a Escola Nacional de Belas Artes e foi uma militante de esquerda. Durante os Anos de Chumbo, Ana participou da luta armada contra a Ditadura Militar brasileira. Em 1972, aos 25 anos, em razão de sua ligação com um agrupamento político clandestino – Ação Libertadora Nacional (ALN) -, foi brutalmente assassinada junto a outros colegas. A emboscada arquitetada pelo DOI-CODI/SP ocorreu  no bairro da Mooca, capital paulista. Como dissemos anterior, tais informações são encontradas a partir de uma breve investigação. Devido a sua história, as alunas da Escola de Belas Artes se articularam para criar o Coletivo de Mulheres Ana Maria Nacinovic. Na primeira frase do texto de apresentação, escrito por Gabriela Lúcio, encontramos a informação que o coletivo foi criado porque existia uma demanda do corpo discente de combater o machismo e o patriarcado em nossa sociedade.

Na descrição da página do coletivo, somos informados que Ana Maria Nacinovic foi a única sobrevivente de um atentado, realizado um ano antes de sua morte, em 1971. Tal dado indica como a sua vida corria perigo. Bem como, mesmo após considerada morta, em 1973, foi condenada a 12 anos de prisão. Atualmente o coletivo está inativo, todavia, encontramos no Facebook a promoção de uma atividade do grupo em 2016, com o mesmo nome do Caderno Especial. A publicação contou com a colaboração de quatro mulheres, sendo elas: Gabriela Lúcio (Movimento de Mulheres Olga Benário), Ana Bursztyn-Miranda (Coletivo Memória, Justiça e Verdade), Daniele Machado (Ação Popular Socialista) e Nadine Borges (Comissão da Verdade).

O primeiro texto, escrito por Gabriela Lúcio, foi elaborado a partir do Dossiê da Comissão da Verdade de São Paulo. Ela constrói uma narrativa detalhada sobre o episódio do assassinato de Ana Maria Nacinovic, fuzilada à queima-roupa e covardemente torturada. Em seguida, Ana Bursztyn-Miranda compartilha o texto de sua comunicação, intitulada Heranças da Ditadura: a atual conjuntura política e os principais desafios para resgatar essa história. Destaca-se o fato da autora ter sido amiga de Ana Maria desde a infância, assim como, também ter sofrido tortura durante o período da Ditadura Militar. Daniele Machado, por sua vez, escreveu sobre Anna Bella Geiger e Niomar Moniz Sodré: as artes visuais e a Ditadura Militar. Trata-se de uma reflexão elaborada com base no levantamento feito em sua iniciação científica – Driblando o sistema: discursos das artes visuais brasileiras durante a ditadura (1964-85). Por fim, Nadine Borges contribuiu com o texto 44 anos depois, o trabalho na Comissão da Verdade. Ela escreve sobre a sua experiência e a importância desse trabalho, abrindo a discussão para além do caso de Ana Maria Nacinovic.

Não esqueçamos Ana Maria Nacinovic!

1 comentário

  1. Muito feliz por saber que a EBA, vem se colocando ideologicamente, sobre questões atuais e principalmente sobre a mulher. Eu, como ex- aluna desta instituição, penso que a arte só se faz presente quando expõe e propõe significados intrínsecos a experiência humana transformando-a. E, acho que as iniciativas atuais fazem coro a esse tempo múltiplo tendencias humanistas e libertárias como sempre deve ser. Parabéns,

    Curtir

Deixe uma resposta para Maria Zenilda Ramos de Assis Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: