SE LIGA Vicenzo Smntt

Vicenzo Smntt enxerga a pintura como um subterfúgio expressivo no qual retrata pensamentos e sentimentos advindos de reminiscências próprias, que dialogam com a história da arte

O artista em seu atelier, e ao fundo o processo da obra os ‘’7 ciclos da vida’’.
2020.
180 x 700 cm.
Óleo sobre tela.

‘’ Afinal, o que é a arte, ou a vida, se não uma junção de microscópicas partículas celulares alinhadas dentro de uma atmosfera composta por tempo e espaço? ’’ Disse o artista a revista.

Nasceu em 1993.
Vive entre Curitiba e São Paulo, lugares nos quais estuda e trabalha.
No momento presente é pós-graduando em Arquivologia e Museologia pela Universidade Positivo, em Produção Cultural e Curadoria de Conteúdo pela Belas Artes de São Paulo, e, integraliza a exposição individual ‘’Inquietações’’, na Circulo Galeria, em Curitiba.
Sua pesquisa de pintura foi alicerçada na adolescência, tendo acompanhamento artístico de nomes como Fátima Xavier e Paulo de Maurelles.
Ao término de seu bacharelado em Publicidade e Propaganda, engajou-se em um estágio na falecida Boiler Galeria, a qual também comercializara parte de sua produção.
Posteriormente deu continuidade a seus estudos na Itália, onde frequentou o curso ‘’Técnicas de Pintura contemporânea com embasamento clássico’’, em Firenze.

You can fuck my life, but not my work.
2020.
150 x 200 cm
Óleo sobre tela.
אני יהודי
2019.
70 x 50 cm.
Óleo sobre tela.

Conte mais sobre a sua trajetória no campo das artes.

A meu ver, toda e qualquer forma de expressão é arte. Acredito que o ser humano é artista por natureza. Todos temos a visceral necessidade de nos expressarmos de alguma forma, sendo ela material, ou não, todavia, dentro da contemporaniedade, os que optam por explorar esse ímpeto através da arte, são categorizados como ‘’artistas’’. Existe uma frase de Picasso que proporciona uma vaga ideia da grande imensidão do conceito de arte: ‘’sexo e arte são a mesma coisa’’. Afinal, o que é a arte, ou a vida, se não uma junção de microscópicas particulas celulares alinhadas dentro de uma atmosfera composta por tempo e espaço? Dito isso, afirmo que já nasci um artista. Desde criança sou extremamente autodidata, dramático, inquieto e insatisfeito. Venho de uma família de classe média que preconiza o capital como a única forma de sucesso, e que, ludibriadamente,  encara a arte e suas tangentes apenas como um produto decorativo. Durante a minha segunda graduação, Publicidade e Propaganda, a disciplina de História da arte, lecionada pela Professora Ivana Paulatti, foi responsável por transmutar a minha mente, abrindo lugar para uma nova perspectiva sobre o fazer artístico. A partir de então, tive a certeza de que a arte era minha vocação. Alicerço a minha pesquisa e produção em pintura ao buscar o contraponto de narrativas imagéticas lineares, ou quiçá, óbvias, contestando valores estéticos e sociais arcaicos preconizados na Grécia antiga, e que ainda decretam a concepção pós-moderna de beleza, elegancia, ética e sanidade.

Anyone can be an artist.
2019.
180 x 100 cm.
Óleo sobre tela.

Você disse que considera toda e qualquer forma de expressão como arte, mas por que fazê-la é importante?

Ela amplifica o campo de reflexões e transgride o sentido comum da palavra vida. Sua importância se dá ao fato de substituir as desaprovações do âmbito social, indo muito além de tendências e julgamentos.  A arte, por ser uma composição entre espírito e matéria, tem o excessivo poder de abalar as tradicionais concepções de passado, presente e futuro, ultrapassando os limites da visão. Produzir arte na contemporaneidade significa repensar seu significado através de seus suportes, suas convenções e suas limitações. Por ser um artista que faz uso de arquétipos tradicionais, sempre me questiono acerca das tangentes e contaminações do meu trabalho com outros campos do conhecimento, com o mundo e com a vida, uma vez que a fruição visual não deve mais ser a única questão levada em consideração na pesquisa de pintura.

Did I ask for your opinion?
2019.
90 x 160 cm.
Óleo sobre tela.

Fale mais sobre a contestação dos valores arcaicos que alicerçam sua pesquisa.

Desde a pré-hisória, a arte é a mimése da realidade que cerca o homem. E agora, na era tecnológica, mesmo com a profunda amplificação do conceito de arte, seu  valor estético não deu resposta a tais modificações. Na grécia antiga, o fazer artístico estava diretamente relacionado ao conceito de belo, caracterizado, segundo Aristóteles, pela harmonia, simetria e proporção dos elementos da obra. Meu grande paradigma como artista é enfrentar esse ideal arcaico. Almejo proporcionar ao contemplador uma  experiência estética desconfortante e surpreendente. No hegemônico mercado de arte, quando o detentor de capital se depara com uma obra imprevisível dentro do ainda socialmente aceito como belo, entra em colapso e tem seu intelecto posto à prova. O curto-circuito mental provocado através do contato direto com suas emoções e seus sentimentos atravessa os limites da sua consciência, e força-o a pensar. Como vê a arte como um mero produto decorativo, busca nela uma palatável fuga da realidade, que não o obrigue a refletir sobre um mundo que não é o seu, e encontra isso em seu falso ideal de beleza suprema, que conforta, e ao mesmo tempo, engana.

Como é a sua prática de atelier?

Não me agrada a ideia de definir um padrão eterno de produção para meus trabalhos. Claramente sou um artista visual, mas definir é limitar. Desde que voltei da Itália, tenho feito uso de um método de pintura a óleo denominado úmido sobre seco, o qual começa com uma camada de ‘’pré-pintura’’, bem fina e diluída, que dá a tela uma base tonal monocromática, fornece luminescência e norteia o resultado final da obra. Depois de seco, progressivamente vou aplicando camadas mais grossas e com menor quantidade de solvente. Pintar com óleo é um processo que exige paciência, planejamento e tempo. Por ser extremamente ansioso e um pouco megalomaníaco, produzo inúmeras telas concomitantemente. Vou investigando e permeando seus processos de secagem. Racionalizo sistematicamente acerca da relação da obra com o espaço que ocupa, almejando romper a barreira entre liberdade e realidade. À posteriori, quando aplico as camadas subsequentes, me permito brincar com cores, texturas e formas. Gosto de satirizar o meu próprio meio. Citar referências de grandes mestres da pintura soaria um pouco óbvio. Qualquer artista visual que estude um pouco sobre a história da arte tem seu trabalho contaminado por obras renascimento, do barroco ou até mesmo do modernismo.

Deixo o meu processo germinar a partir do contato com a múscia. Na minha playlist pode-se encontrar nomes como: Amy Winehouse, Cássia Eller, Clarisse Falcão, Diana Ross, Elton John, Dua Lipa, Frank Ocean, Guy Gerber, Julien Doré, John Lennon,  Kolsch, Lady Gaga, Luca Carboni, Madonna, Rita Lee e Pablo Vittar.

Dissociação de personalidade.
2019.
102 x 102 cm.
Óleo sobre tela.

Site: www.vicenzo.art
Instagram: @vicenzo_smntt

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